As tecnologias assumem destaque no domínio da educação a distância (EAD) e, desse modo, torna-se possível compreender o conceito de “gerações de inovação tecnológica” (Garrison, 1985; 1991 in Gomes, 2003: 138), que espelha os diferentes paradigmas ao nível dos princípios e conceitos intrínsecos à EaD.
Diversos autores (Garrison,1985; Nipper, 1989; Bates, 1995) referem a existência de três gerações de inovação tecnológica: a primeira corresponde à fase do ensino por correspondência; a segunda reporta-se à utilização das telecomunicações (como o telefone e a teleconferência); e finalmente, a terceira geração está relacionada com o uso do computador.
Podemos considerar que existe um consenso generalizado relativamente à primeira e segunda geração de inovação tecnológica. Desse modo, a primeira geração caracteriza-se pela possibilidade de promover a comunicação bidireccional entre professor e alunos através da correspondência postal, o que denota, na opinião de Garrison (1985) uma grande “independência” do aluno (no sentido da facilidade de decidir quando e onde aceder aos conteúdos de ensino) mas reduzidos níveis de interacção (in Gomes, 2003: 140).
A segunda geração, referente ao tele-ensino, caracterizada pelo recurso a diversos media (Bates, 1995 in Gomes, 2003) que proporcionam contactos entre professor e alunos mais rápidos e directos, apresenta, no entanto, uma grande exigência de disponibilidade por parte do professor. Assim, Garrison (1985) considera verificar-se nesta fase “um aumento da capacidade de interacção mas [...] uma menor independência” (in Gomes, 2003: 141), em virtude da limitação geográfica e temporal imposta pelos meios tecnológicos emergentes.
Nipper (1989) refere que, na primeira e segunda geração tecnológica, o processo ensino-aprendizagem na EaD é perspectivado atendendo apenas a questões de distância geográfica, negligenciando-se a vertente social da aprendizagem e, portanto, a interacção entre o professor e os alunos e entre estes últimos.
No que concerne à terceira geração tecnológica, Garrison (1985) menciona as potencialidades ao nível da interactividade possibilitadas pelos modelos de “ensino assistido por computador” e “inteligência artificial”, destacando o conceito emergente de feedback, definido-o como um “processo de comunicação que fornece informação acerca do grau de consecução com que uma tarefa foi desempenhada ou um objectivo alcançado” (Store & Armstrong, 1980, citado em Garrison, 1985 in Gomes, 2003: 140). Neste contexto, Garrison afere à possibilidade de independência e interacção máxima, proporcionada pelos multimédia e sua capacidade de ilimitação espacial e temporal.
Na opinião de Nipper (1989), no entanto, a virtualidade desta terceira geração é visível “na valorização da comunicação e da aprendizagem como um processo social, tratando-se de uma questão não só tecnológica mas também institucional e pedagógica” (Nipper, 1989 citado em Gomes, 2003: 144). Este facto denuncia a divergência do autor relativamente à opinião de Garrison dado que Nipper considera que os novos contextos de aprendizagem individualizada, inerentes a esta terceira geração, reforçam a importância do professor no processo de comunicação, enquanto Garrison defende a possibilidade de emulação e/ou substituição da interacção professor/aluno pela interacção máquina de ensinar/aluno.
Bates (1985) corrobora a opinião de Nipper, referindo que os novos media permitem a interacção directa entre professor/aluno/aluno, de forma individual ou grupal e destaca assim o carácter de equidade inerente a esta terceira geração tecnológica em termos comunicacionais.
Com o aparecimento das novas tecnologias da informação e comunicação, concretamente a Internet, abordagens alternativas às tradicionais assumem maior relevância no campo das ciências cognitivas contemporâneas, reflectindo uma mudança de paradigma, que leva vários autores a considerar a emergência de uma nova geraçao de inovação tecnológica, que será alvo de reflexão em breve!
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Referências bibliográficas:
Garrison, Randy
Pereira, D. C. (1994). A reforma perspectivada segundo as novas tecnologias. Revista de Educação, IV (1/2), PP. 153-162.