Como exposto no post anterior, as inovações tecnológicas têm repercussões nos modelos de educação a distância. Deste modo, o desenvolvimento dos media interactivos no final da década de 80 e início de 90, assume um papel crucial na renovação do pensamento comunicacional, dada ”a possibilidade de se estabelecerem interacções […], aliada a um outro conjunto de potencialidades disponíveis a partir de redes de computadores […] permite até considerar que estamos já no limiar de uma quarta geração de inovação tecnológica” (Gomes, 2003: 148)
A este propósito, Garrison (2000) alude a esta nova era em que vivemos, pautada pela difusão das NTIC e das ferramentas de código aberto (open source) e dos repositórios de livre acesso e fundamenta assim, de certo modo, a legitimidade da designação “era colaborativa”, contrapondo-a à “era industrial”.
Esta quarta geração, designada por web learning, e-learning, online learning ou, como designa Gomes (2003), aprendizagem em rede, é caracterizada pelos multimédia interactivos, que permitem que o utilizador proceda à sua alteração e/ou reconstrução e ainda a possibilidade de imersão em ambientes colaborativos de trabalho.
Essas potencialidades inerentes aos media interactivos detêm impacto no campo das ciências cognitivas e da educação, nomeadamente na educação a distância, uma vez que o paradigma construtivista ganha força, constituindo o paradigma alternativo à tradição objectivista, supondo que “o significado não existe no mundo independentemente de nós mas, pelo contrário, é imposto por nós ao mundo” (Pereira, 1994: 154), através da experiência.
Neste contexto, a tónica é colocada na flexibilidade cognitiva do indivíduo e, assim, na multidimensionalidade das representações e perspectivas conceptuais, que favorecem a transferência desse conhecimento para novas situações e contextos. Desse modo, a significação é construída através de um processo dinâmico de experimentação, da organização e reorganização dos conteúdos (Dias, 2000)
O modelo pedagógico inerente é assim centrado no aluno, e fomenta o conhecimento individual e o colaborativo, implicando em ambos os casos um processo de negociação, contextualmente situado e investido de uma dimensão social na partilha e/ou colaboração do conhecimento (Jonassen, 1981), respectivamente.
Wilson Azevedo, director da Aquifolium Educacional e ex-director do Conselho de Ética da Associação Brasileira de Educação a Distancia (ABED), procede a uma argumentação mais detalhada, neste podcast.
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Referências bibliográficas:
Dias, P. (2000). Hipertexto, hipermédia e media do conhecimento: representação distribuída e aprendizagens flexíveis e colaborativas na Web. Revista Portuguesa de Educação. 13 (1), 141-167. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/497/1/PauloDias.pdf (Acedido em Janeiro de 2007)
Garrison, Randy
Jonassen, David. H. (1981). What are cognitive tools? USA: University of Colorado. Disponível em: http://www.cs.umu.se/kurser/TDBC12/HT99/Jonassen.html (Acedido em Janeiro de 2007).
Pereira, D. (1994). A reforma perspectivada segundo as novas tecnologias. Revista de Educação, volume IV, 1/2, pp. 153-164.y Romana Maciel
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