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Avaliação On-line

Julho 6, 2007 · 3 Comentários

A educação a distância (EaD) tem vindo a ganhar relevância no contexto da crescente e vertiginosa capilarização da Internet, o que reforça a polémica em torno da questão da avaliação (Otsuka & Rocha, 2002), cujo conceito constitui provavelmente o maior “calcanhar de Aquiles” no contexto da formação, inclusive a realizada à distância (Menezes, 2004).

A avaliação a distância, mediada por computador e baseada nos serviços da Internet, é designada por avaliação on-line. Este tipo de avaliação enfrenta diversos obstáculos, mas apresenta igualmente múltiplas vantagens e potencialidades, sendo objecto de duas linhas de investigação que visam precisamente, por um lado, a diminuição das suas restrições e, por outro, a exploração das suas vantagens.

Uma dessas linhas de investigação consiste no suporte à avaliação baseada em testes objectivos, que apresentam a vantagem de proporcionar um feedback imediato, além da rapidez e facilidade da aplicação. Deste modo, os testes objectivos comportam questionários personalizados de acordo com os objectivos predefinidos pelo professor/formador (Brusilovsky & Miller, 1999 in Otsuka & Rocha, 2002) e ainda “o desenvolvimento de questões adaptativas, de acordo com a análise do conhecimento do aluno em diferentes conceitos e tópicos, representado pelo modelo do aluno” (Karagiannidis et al., 2001: 2)

A avaliação é actualmente concebida como um processo que supõe um compromisso com a aprendizagem e a produção do conhecimento, no decurso do acto interrogativo e investigativo (Luckesi, 2000; Hoffmann, 2001; Demo, 2002 in Júnior & Alves, 2003), isto é, a avaliação é centrada no processo de ensino-aprendizagem, o que denota uma nova abordagem que se distancia da visão tradicional e tecnicista do exame ou julgamento.

Neste contexto, a atenção recai fundamentalmente numa outra linha de investigação baseada no suporte à avaliação contínua, realizada através do acompanhamento das actividades e contribuições do aluno/formando, cuja relevância reside precisamente, no âmbito da EaD, na possibilidade de percepcionar a identidade e o comportamento do aluno e ainda na identificação de eventuais dificuldades (Otsuka & Rocha, 2002) e subsequente adopção de estratégias no sentido de contrariar essas dificuldades. Neste sentido, a avaliação implica, como referem Gomes & Silva (2004: 1), “a participação de diferentes actores num processo que não se esgota na previsão e programação de objectivos, de meios, de actividades definitivos, mas que se traduz numa dinâmica de construção e de adaptação contínua”, que pressupõe, como afirma Menezes (2004: 56) “a compreensão do processo ensino-aprendizagem como um todo, num continuum de várias etapas”, que correspondem aos tipos de avaliação: de diagnóstico, formativa e somativa.

A avaliação diagnóstica constitui uma avaliação inicial fundamental dado que possibilita o delineamento do perfil da turma e a identificação do nível de conhecimentos da mesma e, posteriormente, a tomada de decisões por parte do professor/formador no sentido de propor “alternativas e possibilidades pedagógicas que intervenham na zona de desenvolvimento proximal dos sujeitos (Vygotsky, 1994 in Júnior & Alves, 2003: 742), através da adopção de estratégias e metodologias capazes de suprimir eventuais dificuldades e/ou potencializar a aprendizagem.

A avaliação formativa “é contextualizada, fléxivel, interactiva e presente ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem” (Menezes, 2004: 58). A tomada de decisões é, desse modo, “cooperativa, colaborativa, interactiva, uma vez que não prescinde da participação activa de todos os envolvidos no processo pedagógico” (Júnior & Alves, 2003: 743), o que promove a autonomia e a motivação do aprendente (Menezes, 2004). A avaliação incide assim no grau de aquisição de conhecimentos mas também no feedback do aluno, ou seja, na dinâmica e empenho demonstrados no desenvolvimento das tarefas propostas e no nível de interactividade (Menezes, 2004: 58), que supõe a auto e hetero-avaliação, que Júnior & Alves (2003) denominam por saber fazer avaliativo.

Por último, a avaliação somativa diz respeito à avaliação global que decorre no final de uma unidade/módulo de formação, supondo a classificação do aluno/formando. Este tipo de avaliação é, muitas vezes, conotada com sentido negativo dado que surge associada à perspectiva tradicional e objectivista do ensino. Contudo, corroboro a opinião de Menezes (2004) de que este tipo de avaliação não deve ser assim entendida, pelo menos no âmbito da avaliação contínua, pois a avaliação somativa resulta, nesse contexto, da soma de todos os elementos avaliativos recolhidos ao longo do processo de ensino-aprendizagem e não apenas do teste/exame realizado no final, como acontece na abordagem objectivista da educação.

Deste modo, devemos considerar estes pressupostos avaliativos no contexto de renovadas epistemologias da cognição e da didáctica quando consideramos o desenvolvimento de actividades e formas de avaliação on-line, de carácter construtivista. Para uma melhor compreensão do tema e síntese dos principais parâmetros a ter em conta, sugiro a visualização do slideshow “Avaliação e Internet”, que apresento de seguida.


“>Referências Bibliográficas:

Gomes, M. J.; Silva, B. D.; Silva, A. M. (2004). Avaliação de cursos em e-learning. Actas da Conferência e’LES04 – eLearning no Ensino. Aveiro: Universidade de Aveiro. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/665/1/eLES-GSS.pdf (Acedido em Julho de 2007)

Júnior, Arnaud; Alves, Lynn (2003). Educação e Contemporaneidade: novas aproximações sobre a avaliação no ensino on-line. A publicar. Disponível em: http://www.lynn.pro.br/pdf/art_avaliacaoonline.pdf (Acedido em Julho de 2007).

Menezes, Cristina (2004). E-learning para e-formadores. TecMinho/Gabinete de Formação Contínua. Braga: Universidade do Minho.

Otsuka, Joice Lee; Rocha, Heloísa Vieira (2002). A caminho de um modelo de apoio à avaliação contínua. São Paulo, Brasil: Universidade Estadual de Campinas. Disponível em: http://teleduc.nied.unicamp.br/pagina/publicacoes/15_jh_wie2002.pdf (Acedido em Julho de 2007).

By Romana Maciel

Categorias: Avaliação Online · Educação a Distância · Elearning
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3 respostas até agora ↓

  • Luzia // Junho 17, 2008 às 12:13 am | Responder

    Muito interessante o texto ssbre Avaliação.

  • Delmontios // Outubro 21, 2008 às 5:54 pm | Responder

    Os slides sobre avaliação são bastante interessantes, objetivos, deixando claros os critérios a serem aplicados nesse instrumento de validação de aprendizagem. Seria possível obter um modelo de proposta de avaliação que enfatizasse, por exemplo, a área de recursos Humanos? Obrigado e saudações a todos.

  • Antonio Bispo da paixão // Julho 28, 2009 às 2:43 am | Responder

    gostei muito do curso os professores muitos explicativos em material riquissímo, deveria está postado de forma que o aluno podesse formar um modulo. seria muito proveitoso

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